segunda-feira, 16 de maio de 2011

Pra começar, dizer que o amor chegou ao fim...

E cá estava eu, pela última vez, me despedindo delas que fielmente estavam comigo durante esse longo mês. Durante esse regime militar sem ditador, sem mestre, sem ninguém. Estava eu sentada na cama, pela última vez borrando minha máscara de cílios, deixando um rastro preto no meu rosto. Pela última vez me olhei no espelho assim, sem disfarçar, com as luzes acessas, na frente de todo mundo, mostrando a quem quisesse ver. E pela última vez eu senti não mais amor, não mais saudade. Por alguns instantes eu dei carta branca a raiva, ao ódio, ao nojo, ao desprezo e a indiferença que eu há tempos estava tentando evitar, mas não teve jeito, lá estavam elas, firmes e fortes. Confesso que até achei engraçado dizer eu quero que os homens se danem, vou ser é piriguete, rs Achei estranho substituir todo aquele amor, todo aquele “eu o respiro”, por um “eu quero que ele vá pro inferno!”. Em nenhum momento eu desejei sua morte, pra quê?? Morrer seria tão fácil, e tão indolor, eu queria mais que isso, queria que a vida lhe desse em dobro, não por eu estar sozinha novamente ou por “ele” ter terminado comigo, mas pela forma tão baixa e tão indigna como ele fez isso, pela forma desumana como tratou meus sentimentos, pela forma sem caráter dele me tratar com desprezo por um erro que ele cometeu. Eu sinceramente desejava que a vida lhe mostrasse que existem palavras e atos que doem mais que milhões de chicotadas no meio da praça, existem palavras que matam mais lentamente que um tiro. Eu desejo que um dia ele possa ver que a dor ensina, mas pra quem quer aprender com ela, ela pode ser muito mais que uma simples dor de amor, ela pode ser uma grande aliada para o fortalecimento do corpo, para o equilíbrio da alma, uma vacina ante covardia, para pessoas que são incapazes de se respeitar quanto mais respeitar o sentimento do outro.

Admiti a mim mesma que o amor chegou ao fim, que aquela era a curva em que nos abraçávamos pela última vez e que eu soltaria sua mão, admiti que aquela era a curva onde ao lado do amor, eu deixaria a caixinha com as coisas que ele me deixou, com sua imagem, com seu perfume, com seu sorriso, com suas lembranças, com tudo! Também levei um punhal, resolvi matá-lo dentro de mim ali mesmo, mas desisti quando estava encostando a navalha em seu peito, a morte lenta e ácida dentro de mim me faria melhor, alimentaria meu ego.

Olhei mais uma vez para o amor com aqueles olhinhos pequenos e cheios de lágrimas, parecia um bebê sendo abandonado, mas eu não estava com dó, sabia que alguém mas cedo ou mais tarde o encontraria, e que logo depois seria abandonado novamente por mais um alguém enganado pelo falso Don Juan.

Soltei meus cabelos assim que lhe virei às costas, senti o vento no meu rosto, não olhei para trás, acelerei o passo, a chuva estava se aproximando, seria bom, assim lavaria de uma vez por todas qualquer resíduo dele de mim. O que me aconteceu agora pouco me importava, estava mais interessada no que estava por vir. De tudo o que aconteceu, nem lembranças quero mais, antes eu até queria, mas agora não faço mais questão, pra que lembrar de um alguém que só me fez chorar e que me tratou de uma forma tão insignificante? Pra que me lembrar daquilo que um dia eu com certeza irei me esquecer?

Não faz sentido, ele não faz sentido. Mais isso é do ser humano, sempre com suas opiniões indecisas, com seus amores incertos, com seus sentimentos indefinidos, com sua vida imprevisível, com suas superações insuperáveis, com seus feitos impossíveis, com seus medos grandiosos, com seus poderes ocultos... Com suas mentes indecifráveis...

...Quando superei, não me senti completamente curada, nem livre de recaídas, não me senti como se nada tivesse acontecido, mas soube o que fazer quando o peito apertava e a dor teimava em voltar. Estou sujeita a alterações, afinal, isso é normal do ser humano, mas eu não me importo, ainda mantenho meus cabelos soltos, dirijo com o som alto, ainda passo gloss nos lábios, uso meu vestido justo e meu salto alto, mantenho a beleza que o conquistou, abuso dos meus olhares e uso tudo a meu favor... Quando eu quis, eu me superei.


Aprendi que é possível seguir em frente, não importa quanto pareça impossível. Com o tempo a dor diminui e... Em seguida vai embora.


“Hoje olho para trás, superei, já é passado
Aprendi porque vivi, e não porque me foi contado..”

Obrigada a todos que leram os relatos, foi bom enquanto fiz,  fui me libertando e tendo a certeza que estou curada.

18 comentários:

aninha disse...

Oi linda!
Nossa Bruna, pelas suas palavras da para sentir que vc se liberta e libertou aos poucos, o que você passou é uma lição de vida, que muitas não conseguiriam passar nem sequer suportar!
saiba que vc é uma guerreira e vencedora da vida!
bjO

Unknown disse...

Nossa Bru que post lindo, essa libertação te fez foi muito bem, eu sou orgulhosa de você!!!
Você é a prova de que ninguém morre de amor, e que dá sim pra ser feliz novamente =)
Beijos

Fabi a loba!!! disse...

Bruninha... acompanhei sua caminhada e senti profundamente sua dor... hoje me admiro com sua "volta por cima"... é isso aí menina... deixa o passado lá longe e recomece sua vida, seja feliz, esteja aberta a novos relacionamentos, você é linda e novinha... ainda tem muito chão pela frente.
Estou verdadeiramente feliz por você estar se sentindo liberta dessa dor... desse amor... continue andando para frente, quero acompanhar seu progresso hein!!!!

Você escreve muito bem, seu post está perfeito, conte comigo sempre, sempre estarei por aqui... beijão de coração...

Mariane Paulino disse...

Lindona to de blog novo

http://mar1an3.blogspot.com

bjocas

Juliane disse...

Bruninhaaaa eu que te agradeço por me permitir fazer parte um pouco da sua vida, se expondo assim, colocando p fora seus medos, anseios, mágoas, desejos...se isso te fez bem, imagina pra mim, ver você hoje assim, feliz!

Conta comigo sempre!
Venho aqui com o maior prazer do mundo, adoro esse seu cantinho!

Beeeijo

Unknown disse...

Oi! Falei que ia voltar e voltei! Nossa! Que relato mais forte mas eu sei exatamente como é se sentir assim! Você é uma vencedora, Bruna, porque apanhou, caiu, levantou, teve recaída, mas cresceu, evoluiu, aprendeu com os erros e ficou melhor do que nunca. A Bruna que você é hoje não vai mais cair nos mesmos papos, nem mesmo vai deixar de abrir seu coração quando achar necessário. A Bruna que você se tornou será mais feliz no que quer que desejar porque optou por isso, cresceu disso! Te admiro, vc sabe! ;)

beijos

Julie

Camila Gomes disse...

Eiii Bruninha...

"Quando eu quis, eu me superei."
É essa vontade que faz a diferença.
Obrigada por dividir sua historia e nos enriquecer, aprendendo através de sua experiência!

BjoOo

Anne disse...

Foi um processo, né Bruninha... Não dava pra ser diferente, e fico feliz que tenha se curado.

Vc precisa de alguém que te ame, te ame, te ame e te respeite. Não tô falando de alguém perfeito, mas de alguém imperfeito o bastante pra vc aceitar.

Sabe que tô aqui contigo desde bastante tempo, vai fazer um ano já... Foram tantas coisas! E olha agora... Vc relatando novamente sua história, que sempre foi de uma sabedoria incrível, para a VIDA.

Que as pessoas que leiam possam refletir sobre o amor, ou a falta dele. E principalmente, sobre o AMOR PRÓPRIO.

Beijos minha linda, fica com Deus!

Anônimo disse...

Linda, eu agradeço a deus por cada presente que recebi desde que criei o blog, já vai fazer um ano e eu só tenho a agradecer por ter conhecido pessoas que nos ensinam assim como você. Vai ser uma prazer conhecê-la pessoalmente. Viajo hoje a noite. Nos vemos no sábado. Bjs da Joii.

Micha Descontrolada disse...

eu sei o quão difícil foi...quem nunca sofreu por amor q atire a primeira pedra.

ja sofri mto, já achei q não ia conseguir viver mais...ser feliz, amar de novo...

e qdo o amor verdadeiro chegou, entendi q tdo q passei foi pra adquirir experiencia...e tenho certeza q assim será com vc.

coisas mto boas estão reservadas.

/(,")\\
./_\\. Beijossssssssss
_| |_................

Um casal unido por Deus,que busca ser mais feliz a cada dia... disse...

Oii Bruninha...

Uma amiga me mandou seu blog,pq quando começou a ler lembrou de mim... e realmente temos muitas coisas incomuns,muitas mesmo...

me dê seu email,quaro dividir umas coisas com vc!!

Bjooo

Que Deus abençoe!!

Silvinha disse...

menina... as vezes leio as coisas que vc escreve e me pergunto como vc consegue se expressar tão bem? ja te disse aqui que antes do meu marido tb tive um relacionamento que me machucou muito, e lendo seus post me endentifico pacas...
Deveria escrever um livro.
bjs

Jana Gamba [Penny Lane] disse...

"...Quando superei, não me senti completamente curada, nem livre de recaídas, não me senti como se nada tivesse acontecido, mas soube o que fazer quando o peito apertava e a dor teimava em voltar".

O recomeço é sempre difícil, e por mais que pareça que às vezes estamos sofrendo uma injustiça, o Pai sempre sabe o que faz. Nos nossos casos, nos livros de uns belos de uns "encostos". Obrigada pelos textos, Bruninha. Ainda há a esperança de amor para todas nós. Beijão!

Anônimo disse...

Adorei tudo aqui!
Sigo agora!
Boa semana!
Beijos meus

Camila Gomes disse...

Eiii Bruninha

Passando pra deixar um beijOo enorme e desejar uma excelente semana, recheada de coisas boas :D

Anne disse...

Cade, cade, cade a novidade?? MORRENDOOO de curiosidade!!!!!

Beijooos amiga

Magda Stützel disse...

"Aprendi que é possível seguir em frente, não importa quanto pareça impossível. Com o tempo a dor diminui e... Em seguida vai embora."
Obrigada por todas estas palavras Bruninha...não vou esquecê-las!Vou me fortalecer com elas...
*_*
Um bj grande!

Psicóloga Neuza Miranda - CRP 18/07170 disse...

Que bom que esta bem. Fico muito feliz por saber disso.Amar dói mas vale a pena, com o tempo enxergamos isso. Beijos